terça-feira, 17 de novembro de 2009

"ausência de pedra", "coleções" e "tempo de uma montanha"

Penso a cada vez que carrego uma pedra comigo, na sua condição de "montanha". Na verdade, isso menos quer dizer que toda pedra foi uma montanha - nao é toda pedra que foi montanha - do que quer dizer que as coisas devém sempre de algo. O tempo e a memória das coisas.


-Com o papel vegetal, eu modelo as pedras que juntei. O papel toma a forma e cria as dobras do relevo. Retiro o papel das pedras e coloco entao exposto. Chamei o projeto de "Ausência de pedra". A idéia é ampliar para o circuito da paisagem. Procurar lugares com formaçoes rochosas onde possa repetir o mesmo processo, mas com pedras maiores e com papeis maiores tambem. Fotografia e vídeo. Achar um produto que endureça o papel.




-Uma coleção de desenhos e fotos de montanhas projetados em uma tela de pedras. Ainda não achei um nome, mas acredito que tenha a ver com projetos de terra, assim como o título que o Smithson deu para seus escritos. Vou à procura das montanhas que desejo desenhar ou fotografar. Trago o registro delas. Continuo colecionando as pedras dos lugares que visito. Monto uma tela de projeção com essas pedras. Projeto a coleção de fotos e os desenhos. Acho que o projeto pode se chamar "coleções".




-Estar de frente à uma montanha e esculpi-la em pedra sabão. Chama-se "O tempo de uma montanha". Registrar esse tempo em vídeo. Ter comigo ferramentas para o entalhe, e nao esperar mais do que uma forma reconhecível de montanha, uma versão. Prestar atenção nesse tempo.







sábado, 14 de novembro de 2009

de alguma forma, disso se trata viver

A resposta foi emocionante...
Em tempos de assepsia de sentimentalismos, a mais intensa experiência estética que tive nessa semana foi a de ver esse vídeo....
Foi o presente-resposta que ganhei da mayra, está lá postado no caminho inverso...
amei demais...


video

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ausência de pedra II



domingo, 8 de novembro de 2009

Ausência de pedra





"Palavras e rochas contém uma linguagem que segue a sintaxe de fendas e rupturas. Olhe para qualquer palavra por bastante tempo e voce vai vê-la se abrir em uma série de falhas, em um terreno de partículas, cada uma contendo seu próprio vazio. Essa linguagem desconfortável da fragmentação não oferece nenhuma solução gestalt fácil; as certezas do discurso didático são arrastadas na erosão do princípio poético. Perdida para sempre, a poesia precisa se submenter à sua própria vacuidade. A poesia é sempre uma lingugem agonizante, mas nunca uma linguagem morta."

Robert Smithson. Uma sedimentação da mente: projetos de terra. In: Escritos de artistas. Glória Ferreira e Cecília Cotrim [orgs].


sábado, 7 de novembro de 2009

projetos de terra





terça-feira, 3 de novembro de 2009

sem desespero sem tédio sem fim

video

esse video fiz pra mayra, a musica que a gente canta sempre juntas, ja que estou com muitas saudades dela.
ié. temos esse "hino", que surgiu porque nunca sabíamos outra pra tocar.

a gente também canta aquela "essa é a história da serpente que desceu o morro para procurar o pedaço de seu rabo" quando estamos diante de alguma situação de julgamento. gostamos de imaginar membros de banca e alto clero intelectual andando agarrado com a gente um atras do outro com a maozinha na cintura, cantando "voce também, é um pedaço, um pedação do meu rabããão".
isso nos diverte e nos enche de alegria :)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ficções

"Há algo de terrivelmente soez na mente moderna; as pessoas que toleram toda espécie de mentiras indignas na vida real e toda espécie de realidades indignas, não suportam a existência da fábula. E isso é a obra de Pessoa: uma fábula, uma ficção. Esquecer que Caeiro, Reis e Campos são criações poéticas é esquecer demasiado. Como toda criação, esses poetas nasceram de um jogo. A arte é um jogo - e outras coisas. Mas sem jogo não há arte."

"A autenticidade dos heterônimos depende de sua coerência poética, de sua verossimilhança. Foram criações necessárias, pois de outro modo Pessoa não teria consagrado sua vida à vivê-los e criá-los; o que conta agora não é que tenham sido necessários para o seu autor e sim que o são também para nós. Pessoa, seu primeiro leitor, não duvidou de sua realidade Reis e Campos disseram o que talvez ele nunca diria. Ao contradizê-lo, expressaram-no; ao expressá-lo, obrigaram-no a inventar-se. Escrevemos para ser o que somos ou para ser aquilo que não somos. Em um ou outros caso, nos buscamos a nós mesmos. E se temos a sorte de nos encontrar-nos - sinal de criação - descobriremos que somos um desconhecido. Sempre o outro, sempre ele, inseparável, alheio, com teu rosto e o meu, tu sempre comigo e sempre só."

Octavio Paz. "O desconhecido de si mesmo: Fernando Pessoa." pág.208 do livro "Signos em rotação", da ed. Perspectiva.